domingo, 16 de setembro de 2012

27 de maio de 2012, à noite, minha casa.

Resta um certo humor. E essa frase me lembra alguém, parece Beckett. Resta algum humor.
A neve-fumaça do cigarro. O corpo me toca e penso em reagir depois. Ou não reagi ou reagi mas perdi tempo pensando depois que não reagi. Tempo do meu corpo mesmo.
"Fuco parado na porta" (meu companheiro Vassíliev na peça S.)
Certa vez ("certa vez", hahaha) eu pude ter puxado uma seta eu poderia ter puxado uma seta fiquei parado meu coração parecia um tambor, e me embalava e quem olhasse atento poderia ver meu corpo espasmando às batidas.
Ontem eu me sentei. E ouvi tudo que devia ouvir. Não disse nada do que eu devia dizer.
O medo me aprisiona. Desejo de defender alguma coisa, me defender. Meu riso pode mesmo ser uma defesa.
Eu deveria me expandir com tudo o que foi dito. Mas eu me expandiria demais? Que quero dizer como "demais"? Eu me encolhi disfarçado e abobalhado como se fosse mais digno que na arrogância. Mas eu estou entendendo.
- Acho que vou me matar.
- Sim sim.


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